Volumosos de qualidade aos seus animais
PRODUÇÃO DE FENO
Richard Roberto Lobo - graduando em Zootecnia pela FEIS-UNESP, E-mail: richardrobertolobo@hotmail.com
Introdução
Usualmente, a baixa produção e a redução na qualidade da forragem, apresentadas pelas espécies tropicais, durante a época seca do ano, são um dos fatores responsáveis pelos baixos índices de produtividade de leite e carne em quase todo o Brasil (LEITE & MACHADO, 1999; GONÇALVES et al., 2003). Esse fato leva à necessidade de se armazenarem forragens de alto valor nutricional para alimentar os animais nesta época do ano (LEITE & MACHADO, 1999; GONÇALVES et al., 2003). Nesse sentido, procura-se por forragens que apresentam altas produções de matéria seca, com boa relação lâmina/colmo e alto valor nutritivo (GONÇALVES et al. 2003).
Tipos de gramíneas mais utilizadas para a produção de feno
Tifton-85
O híbrido Tifton-85 (Cynodon spp.) surgiu do cruzamento da sul africana (PI 290884) e Tifton-68, sendo caracterizado pela alta produção de matéria seca e alta digestibilidade (Burton et al., 1993) e é considerado o melhor hibrido F1 da coleção (PEDREIRA, 1996), quando produzida em condições adequadas de chuvas e quando adubados com nitrogênio, fósforo, potássio e outros nutrientes, este capim apresenta elevada taxa de acumulo de forragem (Kg de matéria seca/ha/dia) (HILL et al., 1996), também, esse hibrido apresenta porte alto, rápida taxa de crescimento e boa relação lamina/colmo, quando comparada aos outros cultivares do gênero Cynodon. Comparando com o Coastal bermuda, o tifton-85 é 26% mis produtivo e 11% mais digestível, durante a época das chuvas, manejado para a produção de feno (HILL et al., 1993).
Coast cross
Segundo Leite & Machado (1999), seu nome cientifico é Cynodon dactylon (L.) Pers cv. Coast-cross, as gramíneas do gênero Cynodon são conhecidas pelo seu caráter colonizador, invasor e cosmopolita, sendo encontradas nas regiões tropicais e subtropicais. O capim Coast-cross é um hibrido estéril, proveniente da America do Norte, resultante do cruzamento de Cynodon dactylon cv. Coastal bermuda com Cynodon nlenfuensis cv. Robusto. (LEITE & MACHADO, 1999).
É uma planta perene, não rizomatosa, de crescimento prostrado, com estolões longos, delgados e glabros, apresenta colmos variando de 10 a 25 cm de comprimento, cilíndrico, liso, glabros, com nós pouco salientes e pequenos, as folhas são glabras ou pouco pubescentes, curtas, freqüentemente em fila dupla (LEITE & MACHADO, 1999). Essa gramínea é de fácil erradicação, pois não é rizomatosa, e seu meristema apical encontra-se próximo ao nível do solo, e essa característica confere grande resistência ao pastejo, pisoteio e ceifamento (LEITE & MACHADO, 1999).
Processos de produção do feno
Feno é um alimento volumoso obtido pela desidratação gradativa, por processos naturais ou artificiais, de plantas forrageiras com perdas mínimas dos valores nutritivos, conservando a maciez, palatabilidade, coloração e aroma semelhantes ao material original (Andrade, 1999).
As forrageiras tropicais são muito interessantes para a confecção de feno, pois além de possuir um ótimo rendimento de matéria seca, apresentam uma boa qualidade nutricional (Evangelista et al, 1995). A maior dificuldade em se produzir feno é que o estágio vegetativo mais interessante para o corte da forrageira, sob o ponto de vista qualitativo e quantitativo, coincide com o período de maior freqüência de chuvas: outubro a março (ZONTA & ZONTA, 2012).
As gramíneas mais utilizadas são Brachiaria, Tifton, Coast Cross e Tânzania, pois perdem água rapidamente de forma mais homogênea, além de permitirem de 3 à 5 cortes ao ano (ZONTA & ZONTA, 2012).
Usualmente corta-se as gramíneas na fase inicial da floração, pois neste estágio a planta cessa o seu crescimento e começa a consumir as reservas armazenadas (Cândido et al, 2008). A segadeira deverá ser regulada de 5 a 10 cm de altura, dependendo da espécie da gramínea (ZONTA & ZONTA, 2012).
Após o corte, logo nas primeiras horas da manhã, uma quantidade de material suficiente para a capacidade operacional da fazenda ficará esparramado no campo, o objetivo é desidratar o material que possui naturalmente 80% de umidade para um teor de 15% em 12 horas de sol (ZONTA & ZONTA, 2012). Nas primeiras duas horas a perda de água é rápida e atinge 60% de umidade, depois a perda torna-se lenta ao longo do dia, então, faz-se necessário que o material cortado seja revirado a cada 2 horas para acelerar esta perda de água (ZONTA & ZONTA, 2012).
Pare que ocorra uma adequada desidratação do capim a umidade relativa do ar deverá ser no máximo entre 65%, pois do contrário não haverá gradiente o suficiente para a evaporação da água da planta para o meio ambiente. Quanto mais tempo o capim ficar exposto, maiores serão os riscos ocorrência de chuva, perder qualidade nutritiva, mofar, fermentar ou incendiar no galpão de estocagem (ZONTA & ZONTA, 2012).
O feno deverá ser armazenado em local fresco e seco, amontoado em pequenos montes de fardos ou rolos, deverá haver espaço de 25 cm entre as linhas para a circulação de ar e estrados no solo, e as pilhas deverão ficar a 50 cm das paredes do galpão. A inspeção regular do local de armazenagem e das pilhas é muito importante (ZONTA & ZONTA, 2012).
Referências bibliográficas
ANDRADE, J.B. Produção de Feno. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia, 1999. 34p. (Boletim Técnico, 44).
BURTON, G.W.; GATES, R.N.; IELL, G.M. Registration of "Tifton 85" bermudagrass. Crop Science, v.33, n.4, p.644-645, 1993.
CÂNDIDO, et al., Técnicas de fenação para a produção de leite. In: Anais Seminario Nordestino de Pecuária-PECNORDESTE. Fortalesa: FAEC, 2008. p. 261-298.
EVANGELISTA, A.R.; ROCHA, G.P. Produção e utilização do feno. Lavras: Coordenadoria de Extensão, 1995. 18p. (Circular Técnica, 35)
GONÇALVES, et al., Determinação do Consumo, Digestibilidade e Frações Protéicas e de Carboidratos do Feno de Tifton 85 em Diferentes Idades de Corte. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 32, p. 804-813, 2003.
HILL, et al., Forage quality and grazing steer performance from Tifton 85 and Tifton 78 bermudagrass pastures. Jounal of Animal Science, v.71, p.3219-3225, 1993.
HILL, et al., Tifton 85 bermudagrass utilization in beef, dairy, and hay production. In: WORKSHOP SOBRE O POTENCIAL FORRAGEIRO DO GÊNERO CYNODON, 1996, Juiz de Fora. Anais... Juiz de Fora: Embrapa-CNPGL, 1996. p. 139-150.
LEITE, G. G.; MACHADO, F. O. C. Capim "Coast-cross" (Cynodon dactylon (l.) Pers). In: comunicado Técnico-Embrapa. Planaltina-DF. 1999.
PEDREIRA, C. G. S. Avaliação de novas gramineas do genero Cynodon para a pecuaria do sudeste dos Estados Unidos. In: WORKSHOP SOBRE O POTENCIAL FORRAGEIRO DO GÊNERO CYNODON, 1996, Juiz de Fora. Anais... Juiz de Fora: Embrapa-CNPGL, 1996. p. 111-125.
ZONTA, A.; ZONTA, M. C. M. Técnica da produção de feno. Pesquisa e Tecnologia- APTA Regional. vol. 9, n. 2, 2012.
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